Chame como quiser – Anderson Henrique

Por Fernanda Falleiro

Com grandes doses de inventividade o escritor Anderson Henrique (Editora Penalux), em Chame como quiser, brinca com a rotina e nos tira da mesmice com personagens que poderiam ser eu ou você, caso nossa vida fosse um pouco mais fantástica. Que bom que não é, pois a tragédia encontra alguns, o cômico outros e a critica social a todos, neste livro de contos muito bem estruturado.

Anderson me lembra Machado de Assis e estou me repetindo ao dizer isso, pois escrevi o mesmo quando resenhei seu primeiro livro, para minha alegria a sensação permanece. Suas palavras fluem, há mistério, sarcasmo e realidade.

 O absurdo não é tão absurdo assim, o incrível está no vizinho, nas pessoas que não vemos, mas que estão ao nosso lado, naqueles que tornamos “invisíveis” sem perceber.

Acredito que o conto seja a poesia da prosa, é necessário ter o que dizer para escreve-lo e saber como fazer de forma concisa. Eles não permitem barrigas e os contos de Anderson são assim, esbeltos. Você não sabe para qual caminho está sendo levado até que esteja preso a sua narrativa e ao fim – que logo chegará – porém o número de linhas não importa, você está encantado, enganado e surpreendido.

Dizem que homens escrevem personagem masculinos, pois é o que conhecem e que mulheres os escrevem porque é o que vende. Longe de entrar na exaurida, porém importante, discussão do machismo na literatura senti falta de um maior protagonismo feminino nos contos, me pegou desprevenida já que Anderson criou em seu livro anterior “Anelise Sangrava Flores” excelentes personagens mulheres. Atrapalhou em termos literários? Não, de forma alguma. Gostaria de mais representatividade? Sim, com certeza.

Quem sabe no próximo…

“Chame como quiser” – mas chame direito, chame com carinho, pois esta obra brinca com você, com seu dia a dia, com suas crenças do que é real e permitido, apresentando sentido, mesmo quando não há nenhum. Você encontrará neste livro coisas fantásticas escritas com tanta naturalidade que o fantástico se torna possível e está ali, no cotidiano.

Indico.

Para conhecer mais o autor: Anderson Henrique

Para comprar o livro: Penalux