A infância e o medo em It – A coisa

Gente, que livro fantástico! Apenas no primeiro capítulo de It já dá para perceber como o escritor pretende brincar com seus medos. Você está acompanhando George brincando na chuva, se depara com um palhaço assustador no bueiro, e finaliza com um barco de papel seguindo seu rumo natural no ciclo do esgoto. Como um capítulo que descreve um assassinato pode acabar de forma tão calma? Talvez seja a definição perfeita da cidade de Derry.

E então passamos a conhecer sete adultos que não parecem ter muita coisa em comum, além de certo sucesso profissional. Até o momento em que eles recebem uma ligação, lembram de uma antiga promessa, e muitas memórias esquecidas – ou completamente apagadas – começam a voltar. Cada lembrança tem a força de um golpe, fazendo aparecer antigas cicatrizes, ou criando algumas novas. Muita coisa perde o sentido, muitas outras criam novos significados, mas cada um deles sabe que aquela promessa jamais poderia ser deixada de lado. Sabem que aquela promessa também corresponde a um chamado.

E eu adoro um livrão!

Presente e passado se misturam em It em situações cômicas, trágicas e assustadoras, mas a mágica que o King faz é fazer você conhecer esses adultos aos poucos, ao mesmo tempo em que ‘lembra’ dessas antigas memórias com eles. O flashback deixa de ser um pequeno artifício para ser a maior artimanha de escrita. E o único que ficou em Derry, o único que lembra de tudo, te ajuda a entender um pouco dessa cidade que possui altos índices de tragédia, desaparecimento e mortes, com picos em ciclos de aproximadamente 27 anos.

Tenho certa dificuldade com muitos personagens, então no início ficava sempre repetindo nome, característica física e profissão. Mas com o tempo não foi mais necessário. Cada um era uma parte essencial daquele grupo. Cada um tinha sua importância singular, aquele detalhe que fazia diferença no todo. Cada um tinha um motivo de estar lá, todos muito diferentes, mas também muito iguais!

“As vezes não dá para mandar o Sr. Capiroto se danar quando se está sóbrio.” (It – Stephen King)

Depois que engrenei na leitura, não parei nem pra comer. A necessidade de saber tudo, a necessidade de entender. O medo de encontrar a Coisa, a vontade de abraçar essas crianças que enfrentavam esse terror desconhecido, com muita coragem, determinação. E saber quem eles se tornaram, e como eles poderiam fazer diferente, só dava mais vontade de continuar acompanhando cada conversa, lembrança e momento.

Medo? Tive, várias vezes. Não li o livro a noite, não li o livro enquanto estava sozinha em casa. Arrepiei em situações absurdas, e criei as teorias mais doidas enquanto lia. Mas nada disso me pegou tanto quanto a história dessas crianças, que criaram um forte laço de amizade, que enfrentaram seu maior medo, sempre seguindo a intuição e a criatividade. Afinal, enfrentar a Coisa é enfrentar o seu maior medo. Mas qual é o meu maior medo? E o seu maior medo, qual é?

Ficha técnica

Título: It – A coisa
Autor: Stephen King
Número de páginas: 1103
Editora: Suma das Letras
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