Realidade e política em A revolta de Atlas

Dagny Taggart é vice-presidente da ferroviária Taggart Transcontinental. Seu irmão, presidente da empresa, é o típico parasita, tentando se dar bem em todas as situações, mas sem nenhuma noção administrativa. Nesse conflito, Dagny conhece Hank Readern, um metalúrgico que, após anos de trabalho e pesquisa, consegue descobrir um metal mais resistente e mais leve que o aço. O que podia ser uma história de sucesso se torna uma história de desespero para cada ato governamental que impede a empresa de vender ou de produzir esse metal, para não destruir a concorrência.

Com o tempo Dagny e Hank percebem que a situação fica mais complicada. A economia se torna mais dependente dos impostos cada vez maiores, e as obrigações mais pesadas. A situação chega a um ponto insustentável em que nenhum lucro é o suficiente. Enquanto isso, a população se entrega a uma luta que não é dela, e tem uma resposta simples para qualquer pergunta complexa, para afirmar que existem coisas que não possuem explicação:

“Quem é John Galt?”

O livro possui um discurso liberalista que eu, pessoalmente, me identifiquei muito. Mas acredito que o principal motivo para realizar a leitura do livro é ver a radiografia que Ayn Rand faz da nossa sociedade como um todo. O colapso das contas públicas, até um ponto em que a empresa não vê outra possibilidade que não seja declarar falência, (e o governo impede uma empresa de declarar falência). O desespero cada vez mais nítido de uma máquina pública inchada, egoísta e gananciosa.

Fiz a resenha desse livro faz tempo no Way to Happiness, mas decidi reescrevê-la pela situação política e econômica em que nos encontramos, um momento histórico para o Brasil. Hoje a população não está tão acomodada como Rand descreveu em seu livro, mas há quanto tempo? E a questão não é se você é direita ou esquerda, mas sim o fato de todos estarem de saco cheio, e cada lado está disposto a defender sua opinião. É somente isso que me dá esperanças de que vamos seguir um rumo diferente. 
A revolta de atlas - parte interna

Agora, imaginem uma situação em que pessoas chaves comecem a desaparecer. Os melhores médicos, os melhores compositores, escritores, administradores, qualquer um que pode discordar ou se tornar oposição. Imaginem os corruptos confortáveis em seus cargos, fazendo o que bem entendem, sem nenhum tipo de crítica ou questionamento? O que aconteceria com uma sociedade em que todas as pessoas pró-ativas desaparecessem, deixando tudo a mercê de oportunistas e maus cidadãos?

“ – Se você visse Atlas, o gigante que segura o mundo em seus ombros, se você o visse de pé, o sangue correndo por seu peito, seus joelhos se curvando, seus braços tremendo e ainda assim mantendo o mundo suspenso com os restos de sua força, e quanto maior seu esforço mais pesasse o mundo sobre seus ombros… O que você diria a ele?

– Eu… Não sei. O que… Ele poderia fazer? O que você diria a ele?

– Que desse de ombros.”

As reflexões são ótimas e a leitura é enriquecedora. Todos esses questionamentos são apresentados enquanto acompanhamos a história de Dagny para manter sua empresa funcionando. O livro peca um pouco talvez na repetição do discurso libertário, usado para explicar a situação em que o país se encontra. Claro que foi exatamente ele que me esclareceu milhares de pontos, e me fez levantar a bandeira libertária, afinal. Mas na terceira parte, em específico, há um discurso de muitas páginas, que tem como objetivo esclarecer qualquer dúvida final, mas que pode ser bem difícil de ler pra quem já entendeu a mensagem haha! Mas tirando isso, cada etapa da sociedade, cada derrota dos corruptos, é fantástico!

Realidade e política em A revolta de atlas

Depois de tanta análise, você começa a rever seus conceitos, a nossa situação política, as verdades que Ayn Rand descreve de forma sutil e cruel, e se pergunta: o quão longe estamos dessa situação? Eu indico, e ele já está na minha lista de preferidos! É uma leitura densa pelo tema e pelo tamanho do livro, mas a história é envolvente e te faz pensar! E no final, quando você finalmente entender a pergunta, você não será mais o mesmo.

FICHA TÉCNICA
Título: A revolta de Atlas
Autor: Ayn Rand
Ano: 1957

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